A Cirurgia Oncológica e suas Indicações

Por Jose Luiz Martino*

Em Oncologia, o procedimento cirúrgico pode ser indicado pelo médico como preventivo, diagnóstico, paliativo ou curativo. Neste artigo explico as diferenças entre eles.

Em sua fase inicial, quando esta é a indicação, o Câncer pode ser curado por meio de tratamento cirúrgico. Na maioria das vezes, a cirurgia é curativa, ou seja, a doença é completamente ressecada (eliminada).

É importante, porém, que o paciente e seus familiares sejam orientados sobre o fato de que, às vezes, para ser curativa, uma cirurgia pode ser mutiladora (com a perda de membros ou órgãos) ou causar uma modificação radical dos hábitos de vida do paciente, fazendo com que ele tenha de se adaptar a uma nova realidade.

Quando cada tipo de cirurgia é indicada?

Cirurgia Preventiva

É indicada nas situações em que se conhece uma população de risco, ou por estudos genéticos, ou por histórico familiar, que recomenda esse tipo de tratamento. Um exemplo são os pacientes portadores de alterações genéticas que envolvem tumores de ovário e mama (BRAKA 1 e 2), como no recente caso vivido pela atriz norte-americana Angelina Jolie. Outro exemplo é a Polipose Familiar, em que os membros de uma mesma família são acometidos por pólipos no intestino e há risco de câncer de cólon.

Cirurgia para Diagnóstico

Na maioria das vezes, antes de se iniciar o tratamento definitivo do câncer, é preciso obter uma confirmação histopatológica do diagnóstico da doença. Para isso, são analisadas amostras dos tecidos do corpo do paciente, num procedimento conhecido como biópsia. Muitas das lesões são acessíveis para a biópsia externamente ou por meio de endoscopia  (equipamentos introduzidos no corpo do paciente e que, controlados remotamente pelo médico, chegam até o tumor). Outras lesões só podem ser acessadas por cirurgia, ou por biópsia intraoperatória, como nos casos de tumores de pâncreas e do intestino delgado, por exemplo.

Cirurgia Curativa Radical

Um bom exemplo de tratamento cirúrgico curativo é o caso da maioria dos tumores sólidos em fase inicial. Estes tumores muitas vezes podem ser completamente ressecados (retirados), de forma radical, ou seja, com a ressecção do tumor primário com margens de segurança e, caso necessário, de outros tecidos que possam estar envolvidos com a lesão primária. É este o significado de cirurgia radical. Muitas vezes, é necessária a retirada de linfonodos (gânglios linfáticos), que fazem parte do sistema de drenagem linfática da área onde o tumor está presente. A retirada dos gânglios da axila ao lado da mama comprometida pelo tumor é um exemplo desse tipo de procedimento.

Cirurgia Paliativa

O tratamento cirúrgico paliativo é indicado quando, mesmo sem condições de ressecção (retirada) completa da lesão, é necessário reduzir a população de células tumorais ou controlar sintomas que põem em risco a vida do paciente ou comprometem a sua qualidade de vida.

Novas Tecnologias

Com o desenvolvimento de novas tecnologias, a abordagem cirúrgica e os riscos que ela representa foram dramaticamente reduzidos. Hoje, grande parte das biópsias é realizada por meio de agulhas guiadas por ultrassom ou tomografia em casos como os de nódulos de mama e nódulos de pulmão. Além disso, muitos procedimentos, antes cirúrgicos, agora são feitos por meio de endoscopia, como a colocação de endopróteses (próteses internas), como os stents. Outro avanço está na identificação dos chamados linfonódulos sentinelas, que permitem um diagnóstico mais preciso da doença e reduzem drasticamente a necessidade de esvaziamento da axila em casos de tumores de mama e tumores de pele (melanomas).

*Jose Luiz Martino é o médico responsável pela OncoVitae. Também é oncologista do INCA e da Ordem Terceira.

Sobre oncovitae

Clínica de oncologia em Botafogo, Campo Grande, Madureira e Tijuca - Rio de Janeiro. Consultas oncológicas, cururgia oncológica, quimioterapia, psiconcologia, nutrição oncológica. Convênio ou particular.

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