Câncer Relacionado ao Trabalho

A cada ano cerca de 3.000 substâncias novas são introduzidas nas indústrias sem que os trabalhadores a elas expostos tenham consciência dos seus efeitos tóxicos. 440 mil pessoas morreram no mundo em 2005 em consequência da exposição a substâncias perigosas no trabalho, mais de 70% desse total – ou seja, aproximadamente 310 mil pessoas – foi vítima de câncer (dados da Organização Mundial do Trabalho, OIT). Num país como o Brasil, aproximadamente 20.000 pessoas por ano desenvolvem câncer devido ao seu ambiente de trabalho. No caso do câncer de pulmão, a cada dez casos um é relacionado ao ambiente de trabalho.

Mesmo com essas estatísticas alarmantes é possível dizer que o câncer ocupacional no Brasil está subdimensionado. Existe dificuldade em se coletar dados, principalmente por falta de cuidado dos médicos em anotar as profissões de seus pacientes. Um agravante é que os próprios trabalhadores não conhecem os perigos de suas profissões: prova disso é o baixíssimo percentual (0,66% em 2009) de auxílios-doença concedidos pela Previdência Social a trabalhadores com cânceres registrados como tendo relação ocupacional. O trabalhador não reivindica seus direitos por não ter a informação que sua doença pode ser decorrente de sua profissão.

Características do Câncer Ocupacional

O câncer provocado por exposições ocupacionais mais comumente atinge regiões que estão em contato direto com as substâncias cancerígenas: ou o órgão através do qual o corpo as absorveu como aparelho respiratório, vias orais e cutâneas (pele, mucosas) ou o órgão responsável pela sua excreção como o aparelho urinário. Alguns carcinógenos passam pela circulação do sangue, atingindo primeiramente o fígado, onde suas moléculas são quebradas dando origem a metabólitos, substâncias muitas vezes mais tóxicas que as originais.

Os agentes cancerígenos mais relacionados às neoplasias ocupacionais são metais pesados, agrotóxicos, solventes orgânicos, formaldeído e poeiras, principalmente as de amianto e sílica. Além desses também estão relacionadas as poeiras de cereais, de madeira e de couro além de medicamentos (como os antineoplásicos). A má qualidade do ar é um fator de alto risco de câncer ocupacional (por isso a importância do rígido controle das características do ar no local de trabalho). Duração e frequência da exposição influenciam na toxicidade, mas não são fundamentais para o desencadeamento do processo da carcinogênese: Não há níveis seguros de exposição a agentes cancerígenos!

Entre as profissões com muita propensão ao desenvolvimento de câncer estão: cabeleireiro, piloto de avião, comissário de bordo, farmacêutico, químico e enfermeiro.

Os cânceres mais frequentemente relacionados a ocupações são os que acometem pulmão, pele, fígado, laringe, bexiga e as leucemias. O mesotelioma de pleura (membrana que envolve o pulmão), por exemplo, tem 100% dos casos decorrente da exposição ao asbesto (amianto). Cânceres de bexiga podem estar relacionados a aminas aromáticas (usadas na produção de tintas) e agrotóxicos. Cânceres nas vias respiratórias e pulmões podem ter ligação com a inalação de hidrocarbonetos aromáticos, encontrados na fuligem. Leucemia e câncer de medula óssea estão relacionados ao benzeno encontrado na produção de carvão, em siderúrgicas e usado como solvente de tintas e colas. Cânceres de cavidade nasal, sinonasal, oro e nasofaringe, pâncreas, estômago, esôfago, cérebro, mama, sistema nervoso central, linfoma não Hodgkin e mieloma múltiplo também estão ligados à exposição ocupacional.

Como Prevenir o Câncer Ocupacional no Brasil

O INCA criou uma série de diretrizes:

  1. a remoção da substância cancerígena do local de trabalho;
  2. controle da liberação de substâncias cancerígenas resultantes de processos industriais para a atmosfera;
  3. controle da exposição de cada trabalhador e o uso rigoroso dos equipamentos de proteção individual (máscaras e roupas especiais);
  4. a boa ventilação do local de trabalho, para evitar o excesso de produtos químicos no ambiente;
  5. o trabalho educativo, visando aumentar o conhecimento dos trabalhadores a respeito das substâncias com as quais trabalham, além dos riscos e cuidados que devem ser tomados ao se expor a essas substâncias;
  6. a eficiência dos serviços de medicina do trabalho, com a realização de exames periódicos em todos os trabalhadores;
  7. a proibição do fumo nos ambientes de trabalho, pois, a poluição tabagística ambiental potencializa as ações da maioria dessas substâncias.

A prevenção do câncer ocupacional só será alcançada através da completa remoção da substância do processo de trabalho e vigilância dos processos produtivos. Como já foi dito, não há níveis seguros de exposição a agentes cancerígenos.

Saiba mais detalhes na cartilha publicada pelo INCA: Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho.

Fonte: INCA

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