A Obesidade e sua Relação com o Câncer

Marcus V. Chio Ming Coelho de Sá*

A obesidade já é considerada uma doença e como tal deve ser tratada, sendo hoje uma epidemia no mundo. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2009) a obesidade aparece como 5º principal fator de risco para a humanidade sendo por ordem:

•    A Hipertensão Arterial aparece como principal fator de risco representando 13 % do total de óbitos;
•    Uso do Tabaco / Fumo com 9% dos óbitos;
•    Açúcar elevado no sangue – hiperglicemia é o 3ª fator de risco representando 6% dos casos de óbito global;
•    Inatividade Física é o 4º fator de risco com 6% dos óbitos;
•    Obesidade em 5º fator, representando 5% dos óbitos globais;
•    Nível de colesterol elevado aparece como 6º fator de risco representando 4,5% do número de mortes globais.

Hoje a população está cada vez mais exposta aos chamados riscos modernos, ou riscos associados aos novos hábitos de vida, onde encontramos as doenças crônicas não contagiosas (hipertensão, diabetes…), decorrentes da inatividade física, sobrepeso e obesidade, também de fatores relacionados à alimentação errada, de baixo teor nutritivo e com grande quantidade de calorias, associados a outros como a poluição ambiental, o álcool e fumo.

A combinação do índice de massa corporal IMC e distribuição da gordura corporal se apresenta como a melhor opção para avaliar se um indivíduo é obeso ou encontra-se na faixa do sobrepeso.

Para calcular o IMC divida seu peso (P) em quilos pelo quadrado de sua altura (A) em metros: P / A² = IMC

Esse calculo é facilmente encontrado na internet, é necessário somente saber peso atual e altura.

IMC

A obesidade pode ser considerada como um estado de excesso de gordura corporal e tem que ser considerada um problema de saúde pública. Existe uma infinidade de evidências demonstrando que a distribuição corporal de gordura na região do abdômen é muito mais significativa que a quantidade excessiva de gordura total do corpo.

Hoje, 65% da população mundial vive em países onde o excesso de peso e obesidade mata mais pessoas do que a desnutrição.

As consequências do sobrepeso e obesidade para a saúde vão desde condições limitantes que afetam a qualidade de vida, tais como a osteoartrite, dificuldades respiratórias, problemas musculoesqueléticos, problemas de pele e infertilidade, até condições graves como doenças cardíacas, diabetes do tipo 2 e certos tipos de câncer (Rockville, 2001).

Vários estudos médicos vêm estabelecendo uma relação entre a obesidade (aumento do índice de gordura corporal) e uma maior incidência de casos de câncer (ABESO, 2011).

Um artigo publicado pelo NCI (Instituto Nacional do Câncer dos EUA) em 2012, relaciona uma lista de publicações e comenta sobre os vários mecanismos possíveis para explicar a relação entre obesidade e o aumento do risco de certos tipos de câncer.

A obesidade está associada com maior risco para seguintes tipos de câncer (entre outros):

•    Esôfago
•    Pâncreas
•    Cólon e reto
•    Mama (pós-menopausa)
•    Endométrio (revestimento do útero)
•    Rim
•    Tiróide
•    Vesícula Biliar

Em um dos estudos analisados foi demonstrado uma relação de até 40% de casos atribuídos à obesidade com destaque para o câncer de endométrio (útero) e de esôfago.

Lembramos que uma pessoa obesa apresenta condições metabólicas diferentes e devemos considerar suas influências como:

•    O tecido gorduroso produz quantidades excessivas do hormônio estrogênio. Níveis elevados desse hormônio estão sendo relacionados com o risco de câncer de mama, do endométrio, e alguns outros tipos de câncer.
•    As pessoas obesas, muitas vezes têm aumentado os níveis de insulina e de uma proteína conhecida como IGF-1 (proteína de fator de crescimento) no sangue, que podem promover o desenvolvimento de certos tumores.
•    As células de gordura produzem hormônios (adipocinas) que podem estimular ou inibir o crescimento celular. As células de gordura também podem ter efeitos diretos e indiretos sobre outros fatores reguladores de crescimento do tumor.
•    As pessoas obesas apresentam frequentemente alguma inflamação crônica, que tem sido associada ao aumento do risco de câncer.

Estudos apontaram menor índice de risco para certos tipos de cânceres relacionados a obesidade em pacientes submetidos a cirurgia bariátrica que em pessoas obesas não submetidas a esse procedimento.

Concluindo, além dos malefícios bem conhecidos por todos da obesidade ela também está relacionada com alguns tipos de câncer.

Fontes:

ABESO: Santos Mendes MC at al, Obesidade e Câncer: as Doenças do Século, dezembro 2011 – ABESO 54 – 7

NCI National Cancer Institute, Obesity and Cancer Risk acessado em 09.06.2014 Link: http://www.cancer.gov/cancertopics/factsheet/Risk/obesity

OMS / WHO : Global health risks: mortality and burden of disease attributable to selected major risks. ISBN 978 92 4 156387 1 World Health Organization 2009.

ROCKVILLE, MD, DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES. The surgeon general’s call to action to prevent and decrease overweight and obesity: Department of Health and Human Services, Public Health Service, Office of the Surgeon General, (2001).

* Marcus V. Chio Ming Coelho de Sá é nutrologista especializado na Faculdade Sta Casa de São Paulo / ABRAN, atende em Copacabana, Rio de Janeiro. É autor convidado do nosso blog.

Sobre oncovitae

Clínica de oncologia em Botafogo, Campo Grande, Madureira e Tijuca - Rio de Janeiro. Consultas oncológicas, cururgia oncológica, quimioterapia, psiconcologia, nutrição oncológica. Convênio ou particular.

1 Resposta

Deixe um comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s