Mês da Mulher – Chiquinha Gonzaga

Por Cristhiane Silva Pinto*

O mês de março é marcado por um dia muito importante para nós, o Dia Internacional da Mulher. Para lembrar a luta e as conquistas das mulheres, durante esse mês falaremos um pouquinho sobre várias mulheres que mudaram o mundo com seu trabalho e sua forma de pensar, seja no campo das artes ou no das ciências.

Chiquinha Gonzaga

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Era filha de José Basileu Gonzaga, general do Exército Imperial Brasileiro e de Rosa Maria Neves de Lima, mulher negra muito humilde. Apesar de opiniões contrárias da família do general, os dois casaram-se após o nascimento da menina Francisca.

Chiquinha Gonzaga foi educada numa família de pretensões aristocráticas (seu padrinho era Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias). Ela conviveu bastante com a rígida família do seu pai. Fez seus estudos normais com o cônego Trindade, um dos melhores professores da época, e musicais com o respeitado Maestro Lobo. Desde cedo, frequentava rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África, nesses encontros buscava sua identificação musical com os ritmos populares que vinham das rodas dos escravos. Inicia, aos 11 anos, sua carreira de compositora com uma canção natalina, Canção dos Pastores.

Aos 16 anos, por imposição da família do pai, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Imperial brasileira e logo engravidou. O matrimônio foi infeliz. Jacinto não aprovava a carreira musical de Francisca, a impedia de envolver-se com música e a humilhava. Após anos de casada Chiquinha separou-se, o que foi motivo de escândalo na época.

Leva consigo somente o filho mais velho, João Gualberto, pois o marido não permitiu que ela cuidasse dos filhos mais novos: Maria do Patrocínio e Hilário. Lutou para ter os 3 filhos juntos, mas foi em vão. Sofreu muito com essa separação imposta pelo marido e pela sociedade preconceituosa daquela época, que impunha duras punições à mulher que se separava do marido.

Anos depois, em 1867, reencontrou seu grande amor do passado, um namorado de juventude, o engenheiro João Batista de Carvalho, com quem teve uma filha: Alice Maria. Viveu muitos anos com ele, mas não aceitou suas traições. Separa-se, e mais uma vez perde uma filha: João Batista não deixou que Chiquinha criasse Alice, ficando com a guarda da menina. Apesar disso tudo, Chiquinha foi muito presente na vida de todos os seus quatro filhos.

Ela, então, passa a viver como musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Deu aulas de piano para sustentar o filho João Gualberto e mantê-lo junto de si, sofrendo preconceito por criar seu filho sozinha. Uniu-se a um grupo de músicos de choro, do qual também fazia parte Joaquim Antônio da Silva Callado, apresentando-se em festas. Passando a dedicar-se inteiramente a música, obteve grande sucesso, sua carreira prosperou e ela ficou muito famosa, tornando-se compositora de polcas, valsas, tangos e cançonetas.

Aos 52 anos, depois de ter construído uma sólida carreira musical e passar muitas décadas sem um companheiro amoroso, conheceu João Batista Fernandes Lage, um jovem cheio de vida e talentoso aprendiz de musicista, por quem se apaixonou. Ele também se apaixonou perdidamente por essa mulher madura que tinha muito a ensinar-lhe sobre música e sobre a vida. A diferença de idade era muito grande e, caso alguém soubesse do namoro, causaria mais preconceito e sofrimento na vida de Chiquinha. João Batista tinha apenas 16 anos. Temendo o preconceito, fingiu adotá-lo como filho. Esta decisão foi tomada para evitar escândalos, em respeito aos seus filhos e  à sua brilhante carreira, pois a relação de amor que mantinha com João Batista pouquíssimas pessoas da época entenderiam. Por essa razão também, Chiquinha e João Batista Lage, ou Joãozinho, como carinhosamente o chamava, mudaram-se para Lisboa, em Portugal, onde foram felizes juntos por alguns anos longe do falatório da gente do Rio de Janeiro.

Chiquinha participou ativamente da campanha abolicionista, por conta da revolta que sentia por seus ancestrais maternos terem sido escravos, e da proclamação da república do Brasil. Também foi a fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas mil composições entre valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas e choros.

Ela morreu ao lado de João Batista Lage, seu grande amigo, parceiro e fiel companheiro, seu grande amor, em 1935, quando começava o Carnaval.


*Cristhiane Silva Pinto é médica especialista em Cuidados Paliativos e Bioética. Atua nas Unidades de Cuidados Paliativos do INCA e da OncoVitae.

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Clínica de oncologia em Botafogo, Campo Grande, Madureira e Tijuca - Rio de Janeiro. Consultas oncológicas, cururgia oncológica, quimioterapia, psiconcologia, nutrição oncológica. Convênio ou particular.

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