Intolerância e Alergia Alimentar

por Helena Furtado Martino*

A reação adversa ao alimento ou intolerância alimentar abrange um conjunto de processos patogênicos e nem todos são por alergia.

Existe a intolerância por ingestão de um alimento contaminado levando à infecção intestinal caracterizada pelo aparecimento agudo dos sintomas com vômitos, diarreia, febre e prostração.

Existe a intolerância por falta no organismo de alguma enzima para digerir o alimento – como ocorre na deficiência de lactase (enzima) e a intolerância ao leite. Neste caso, pessoas que sofrem por diminuição da lactase não necessariamente devem abolir por completo a ingestão de leite. Muitos toleram os derivados lácteos em menores quantidades diárias ou os consomem com a tarja “sem lactose”.

Já os que sofrem de alergia alimentar apresentam os sinais de intolerância a qualquer porção do alimento “proibido”. Quando o processo de alergia é o causador da intolerância alimentar, o que ocorre é uma resposta imunológica exacerbada do organismo a algum componente do alimento. Pessoas que têm alergia ao camarão geralmente apresentam alergia aos demais crustáceos e frutos do mar. Outra reação cruzada comum é quem sofre de alergia ao amendoim também apresentar intolerância à castanha, avelã, nozes.

O sistema imunológico faz parte de nossa defesa e é o grande responsável pela nossa sobrevivência e de toda raça humana. Detecta imediatamente qualquer elemento estranho ao organismo, sinaliza e ativa uma complexa resposta inflamatória para nossa defesa. Tem capacidade de memória de tal forma que em um segundo contato com o mesmo elemento estranho a resposta tende a ser mais rápida, intensa e eficaz.

O que ocorre com as pessoas que sofrem de alergia é que por algum motivo que desconhecemos, seu sistema de defesa identifica como agressor um elemento corriqueiro, inofensivo. É comum a pessoa que apresenta alergia alimentar ter também alergia de contato, rinites, asma. O porquê desta reação não sabemos ao certo, mas há uma forte predisposição genética. Filhos de pais que apresentam alergias tem 70% mais chances de serem alérgicos também. Os sintomas, no caso da alergia alimentar, não são restritos ao sistema gastrointestinal. Com freqüência surgem reações cutâneas do tipo urticária, inchaço, coceira, eczema. Também comuns são os sintomas ligados ao sistema respiratório, como tosse, rouquidão e chiado no peito. No aparelho gastrintestinal pode surgir diarréia, dor abdominal, vômitos. Casos graves podem apresentar reações mais intensas chegando ao choque anafilático.  Em crianças pequenas, pode ocorrer perda de sangue nas fezes, de forma crônica o que vai ocasionar no decorrer de meses anemia e retardo no crescimento. Estima-se que as reações alimentares de causas alérgicas verdadeiras acometam 6-8% das crianças com menos de 3 anos de idade e 2-3% dos adultos.

*Helena Furtado Martino é médica cardiologista e diretora da OncoVitae.

Esse artigo foi publicado no jornal O Povo do Estado do Rio de Janeiro na coluna Saúde, Mel e Limão.

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